Atividade 2
Cultura empreendedora e cidadania global
Olá a todos,
Partilho convosco a minha reflexão sobre a forma como a globalização, a ética e a cidadania se cruzam, tentando ir além da ideia feita de que o mercado livre é neutro e resolve todos os problemas.
Ao ler os textos propostos, apercebi-me de que o empreendedorismo e a globalização não são aparentemente aquilo que se vê à primeira vista; - como algo linear, técnico ou comercial. Como bem alerta Vila-Chã (2003), o processo de globalização atual esconde frequentemente um <<neocolonialismo>> que agrava assimetrias e impõe uma massificação cultural e consumista ditada pelas grandes potências. Para mim, a resposta empreendedora a este cenário não pode ser a submissão à lógica das multinacionais. Acredito que o nosso caminho passa obrigatoriamente pela glocalização (Franco, 2019), agir à escala planetária, mas protegendo e valorizando a nossa identidade e a diversidade local. É exatamente aqui que a <<Ética>> ganha um peso inegável.
Num mercado onde a busca cega pelo lucro justifica tantas vezes a exploração de recursos e de pessoas, a ética não pode ser uma mera ferramenta de marketing ou o estrito cumprimento da lei (Sanches, 2019). O ensaio de Adela Cortina (2003) tocou-me ao defender que a frieza do contrato tem de dar lugar a uma ética global da corresponsabilidade. No meu entender, isto significa que o empreendedor tem de reconhecer o outro como um igual - afinal, o progresso técnico e económico só faz sentido se servir o progresso humano. Por fim, esta postura exige uma nova visão de <<Cidadania>>.
O artigo de Romero (2003) ajudou-me a perceber que a promessa de igualdade legal é muitas vezes vazia. A verdadeira justiça não se alcança distribuindo exatamente os mesmos recursos a pessoas que partem de posições estruturalmente desiguais. Ora, olhando por este prima, arrisco-me em dizer que, é urgente erradicar a opressão institucional e focarmo-nos em garantir a todos as capacidades efetivas para uma vida digna, dando verdadeira voz e poder aos grupos subestimados.
Para sintetizar, eu acredito que ser cidadão e empreendedor no mundo global obriga-nos romper com o conformismo. O nosso dever é usar as normas éticas para combater injustiças e construir uma sociedade com equilíbrio em todos os ângulos possiveis.
Com estima,
Albertina Macung
e Domingues
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